

O Fórum
O mundo atravessa um momento de profunda transição. A ordem do pós-Guerra Fria dá lugar a uma nova configuração: um mundo multipolar, em que o poder se distribui entre diferentes centros, as alianças estão em transformação e as regras da governança global vêm sendo reescritas em tempo real. Conflitos comerciais e desacoplamento tecnológico fragmentam sistemas que antes pareciam permanentes. A corrida pela liderança em inteligência artificial se acelera, transformando não apenas indústrias, mas a própria natureza do trabalho, e levantando questões fundamentais sobre quem controla as infraestruturas da inteligência e com quais objetivos.
A crise climática e a perda de biodiversidade exigem transformações em escala e velocidade que as instituições atuais têm dificuldade de acompanhar. As cidades, onde vive a maior parte da humanidade, enfrentam pressões combinadas da crise habitacional, da desigualdade e de eventos climáticos extremos. O futuro do trabalho é incerto: automação, trabalho por plataformas e inteligência artificial estão remodelando o emprego em todos os setores.
Essa é a policrise: não uma sequência de emergências isoladas, mas um conjunto de rupturas interconectadas que se intensificam mutuamente. O realinhamento geopolítico alimenta a fragmentação econômica; a transformação tecnológica concentra poder ao mesmo tempo em que desloca trabalhadores; a crise ecológica intensifica a competição por recursos e a mobilidade humana. Nenhum país, instituição ou área do conhecimento consegue enfrentar esse cenário sozinho.

Ainda assim, a multipolaridade também abre novas possibilidades. À medida que o mundo se afasta das lógicas binárias da Guerra Fria, parcerias como a da União Europeia com o Brasil tornam-se âncoras estratégicas, não como blocos contra outros, mas como demonstrações de que um desenvolvimento tecnológico democrático, sustentável e centrado nas pessoas é possível e desejável.
O Future Affairs Forum responde a esse momento ao criar espaço para um tipo diferente de diálogo: um diálogo que recusa tanto o otimismo tecnossolucionista quanto o desespero paralisante. Ao conectar a União Europeia e o Brasil a partir das tecnologias emergentes, do futuro do trabalho, da transformação urbana, da ética e da visão estratégica de futuro, o Fórum reúne formuladores de políticas públicas, especialistas em tecnologia, urbanistas, filósofos, artistas, representantes da sociedade civil e lideranças jovens para discutir as questões que irão definir nosso futuro coletivo.
Ao trazer a diplomacia digital para o centro da política externa, esta primeira edição posiciona o Brasil como um polo estratégico para o diálogo transatlântico. Em um momento em que o multilateralismo está sob pressão, parcerias genuínas, baseadas em valores compartilhados, oferecem um caminho possível para avançar.
Equipe curatorial
Archipelago of Possible Futures: Francesca Bria e José Luis de Vicente
Museu do Amanhã: Fabio Rubio Scarano e Camila Oliveira

As perguntas que nos definem

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Como a cooperação internacional pode abrir caminho para uma transição justa, resiliente e sustentável em um contexto de mudanças geopolíticas e de um mundo multipolar?
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Como a Inteligência Artificial, a Automação e a Computação Quântica irão transformar a forma como trabalhamos, nos deslocamos e vivemos? E quais parâmetros éticos podem garantir que essas tecnologias estejam a serviço do interesse público?
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Como lidar com o futuro do trabalho? O que vem pela frente para os empregos, as relações de trabalho e o contrato social à medida que a automação e a IA remodelam todos os setores?
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Como o avanço tecnológico irá transformar nossas cidades? E como garantir que esse impacto seja positivo, sustentável e inclusivo?

ARQUITETURA TEMÁTICA

PILAR 1: GEOPOLÍTICA, COOPERAÇÃO E FUTUROS DEMOCRÁTICOS
A ordem global está em transição. À medida que o mundo passa de uma configuração unipolar para uma realidade multipolar, novos alinhamentos surgem e estruturas já estabelecidas são colocadas à prova. A corrida pela liderança em IA, os realinhamentos comerciais e as diferentes visões sobre governança digital estão remodelando as relações internacionais. Nesse contexto, parcerias baseadas em valores democráticos compartilhados tornam-se imperativos estratégicos. Este pilar examina o papel em transformação de atores globais, incluindo a União Europeia e o Brasil, diante das mudanças tecnológicas e sociais.
PILAR 2: TECNOLOGIA, ÉTICA E AS SOCIEDADES DO AMANHÃ
Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Computação Quântica não são horizontes distantes: já estão remodelando a sociedade. Essas tecnologias levantam questões éticas profundas sobre privacidade e vigilância, vieses algorítmicos, concentração de poder em poucas corporações e governança democrática de sistemas que cada vez mais mediam a experiência humana. Este pilar examina algumas das tecnologias mais transformadoras no horizonte e discute os parâmetros éticos necessários para garantir que estejam a serviço do interesse público.
PILAR 3: O FUTURO DO TRABALHO
E DO EMPREGO
Automação, IA e trabalho por plataformas estão transformando profundamente o trabalho, as competências profissionais e a segurança no emprego. Alguns setores enfrentam deslocamentos; outros veem surgir novas oportunidades. A economia de plataformas desafia as proteções tradicionais do trabalho. Os benefícios dos ganhos de produtividade tecnológica e dos direitos são distribuídos de forma desigual. Este pilar explora o que vem pela frente para os empregos e as relações de trabalho, e quais políticas podem garantir que a mudança tecnológica beneficie trabalhadores e a sociedade.
PILAR 4: CIDADES INTELIGENTES, FUTUROS URBANOS E MOBILIDADE SUSTENTÁVEL
As cidades estão no centro da construção do futuro e concentram, ao mesmo tempo, alguns dos impactos mais urgentes da mudança climática, do crescimento populacional e da escassez de recursos. Até 2050, dois terços da humanidade viverão em áreas urbanas. O desafio é construir cidades inteligentes, inclusivas e resilientes, integrando infraestrutura digital, arquitetura sustentável e soluções circulares, ao mesmo tempo em que se garante que o progresso tecnológico sirva a todos os seus moradores.


PROGRAMA PRINCIPAL
DIA 1: Geopolítica e Tecnologia
Segunda-feira, 22 de Junho de 2026
Cooperação internacional, ética da IA, soberania digital e o futuro do trabalho



Dia 2: Cidades Inteligentes, Futuros Urbanos e Imaginação de Futuros Possíveis
Terça-feira, 23 de junho de 2026
Urbanismo orientado para o futuro, mobilidade sustentável e uso das artes e da cultura para imaginar alternativas

